Concordo que vivemos na era da informação. Todo mundo sabe um pouco de tudo pois de tudo um pouco está disponível para quem puder ter acesso aos meios de comunicação, principalmente à mídia eletrônica.
Na mídia escrita, isso também acontece mas, geralmente, a qualidade da informação é melhor pois existem os revisores de texto que têm a função de pelo menos corrigir a linguagem usada além do conteúdo que pretende-se divulgar. Porém, alguns dos conteúdos que são divulgados chegam ao público já desatualizados ou têm tempo de vida muito curto. Nesses casos, que acontecem principalmente com os textos da área de sistemas de informática e da área jurídica, a mídia eletrônica seria um melhor meio de divulgação. Assim, poderiam ser evitadas as situações como a da liquidação de uma coleção jurídica de 10 volumes gordos de quase R$ 1.000,00 por menos de R$ 100,00 que se não for vendida irá mofar em alguma biblioteca até que um pós-graduando interassado no histórico de uma jurisprudência procure o livro, ou irá parar em algum local de reciclagem, ou terá outros fins diversos.
A comunicação através da mídia eletrônica acaba impondo-se por uma série de facilildades. Até livro eletrônico já existe e a vantagem de armazenar vários volumes em um dispositivo que cabe em uma bolsa é extremamente atraente. A mídia eletrônica é democrática pois permite a ilustres desconhecidos divulgarem qualquer conteúdo e tornarem-se celebridades instantâneas e descartáveis ou a tornarem-se conhecidos para quem quiser conhecê-los. Por exemplo, eu aqui e agora, talvez esse texto seja só mais um dos meus textos ou talvez alguém o leia, conheça um pouco do que eu penso e comente alguma coisa sobre o que eu escrevi. Mas a mídia eletrônica também pode ser controlada e direcionada para determinadas funções que é o que acontece em países que ainda contam com regimes autoritários.
Nesse contexto, vão se criando pessoas formadas e formatadas com informações cada vez mais rasas. É muito comum a reprodução de uma informação por diversos sites sem que a origem da informação seja citada por ninguém. Apropria-se do pensamento de um outro, que ninguém sabe quem é, e faz-se disso a verdade.
Mas a verdade, de verdade, é o conhecimento que liberta da ignorância e que nos faz livres e a qualidade é algo que se constrói e que não é presa à individualidade mas a um consenso que leva ao bom-senso que deve estar fundamentado em fatos comprovados e não impostos por uma opinião isolada.
A sociedade informada que está se formando é prisioneira eletrônica de dispositivos cada vez mais mirabolantes e surpreendentes e caminha a passos largos para uma nova idade das trevas. É a repetição de um ciclo histórico revivido na era contemporânea.
Para constar, essa reflexão veio da leitura do texto "O risco da ignorância" do prof. Massimo Pigliucci publicado na edição do jornal "O Estado de São Paulo" de hoje.
Para terminar, o mundo perdeu um de seus grandes tristes. Ontem, num sábado, morreu Ernesto Sabato.
Nenhum comentário:
Postar um comentário