O mundo corporativo é rico em exemplos de estratégias para melhorar o resultado dos processos de trabalho. 5S, 6Sigma, Lean Manufacturing, Simplicity... Vários termos que ao fim e ao cabo significam sempre "fazer mais com menos",ou seja, maximizar o lucro usando o mínimo de recursos. Pessoas físicas que tomam parte desses processos são usadas e abusadas até o limite físico, mental e psicológico e algumas vezes, esses limites são extrapolados como no exemplo das empresas japonesas que internam seus funcionários em alojamentos e que têm de mantê-los sob vigilância permanente devido às inúmeras tentativas de suicídio, em alguns casos, bem sucedidas. Nesse cenário o termo "simplicity" soa incoerente.
Porém, a simplicidade aplicada de forma coerente tornaria não só os processos produtivos mais rentáveis como também vários aspectos da vida humana muito mais interessantes e prazerosos. A mente humana não é nada simples e o adensamento que se constrói devido às vivências pessoais, preconceitos e conceitos, torna complicado o que deveria ser simples. As variáveis são tantas que ações básicas, primordiais e primitivas são recobertas por camadas espessas que escondem a essência distorcendo o sentido primário. Romper essas camadas envolve um trabalho árduo geralmente impossível de ser feito na individualidade e por isso contar com a amizade sincera de outra pessoa física é o recurso mais valioso para que a simplicidade dos relacionamentos possa se refletir na sanidade da mente e do corpo.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Família além do sangue
Existem instituições que acolhem aqueles que ficam sós. São orfanatos, sanatórios, asilos, casas de recuperação, entre outros. Foi em um desses lugares que você apareceu, simplesmente apareceu. Apareceu, ficou. Até que um dia, alguém te percebeu e decidiu que aquele lugar não era o seu lugar. Assim, você passou a ser parte de uma família. Viveu a vida dos pais, viu os filhos se casarem, viu os pais morrerem, viu os filhos morrerem, se separarem e continuou com os que por aqui ficaram. Continuou cuidando, participando, sendo parte. Tão família, que você era chamada de tia, de avó, de irmã, amada e querida por todos. Nesse final de semana foi o dia das mães, e de longe vieram os parentes para te ver e te apresentar a mais nova integrante da família. Você se alegrou, riu e se emocionou com esse carinho de tão longe. Os de longe se foram. E hoje de manhã você se foi também. Depois da alegria do final de semana, no domingo a noite, seu corpo frágil decidiu que era hora de parar. Perda de Consciência, Hospital, Emergência, AVC, Transferência, UTI. É hora da visita: "lavem as mãos e desliguem os celulares". Sou a primeira a entrar e me perco entre os leitos. Te encontro fragilizada e quase não te reconheço. "Oi Tetê, sou eu". Por um momento, tenho a sensação que apesar de toda a parafernália do hospital você me reconhece, se mexe e aperta minha mão. Fico um tempo ao seu lado, mas tenho que ser breve, outros também querem ficar ao seu lado. Te acaricio o rosto, te dou um beijo, me despeço, e mais uma vez me perco entre os leitos, não encontro a saída. Me acho, me despeço dos que esperavam para entrar, me perco de novo na saída e chego à rua sem entender direito onde estou. Hoje de manhã, mensagem no celular "Teresa faleceu". Me perco de novo, mas daqui a pouco, me encontro com você de novo, dessa vez, a última por aqui. Tetê, o conceito de família vai além dos laços de sangue e você foi parte importante de uma família enorme que te acolheu, te amou e te cuidou em cada um dos dias em que esteve com você. Sentiremos tua falta. Até logo.
sábado, 7 de maio de 2011
A densidade do feminino

Estar de corpo, alma e espírito em um lugar é o que se chama de "tempo de qualidade". Conseguir direcionar atenção integral mesmo que por um pequeno período de tempo, ou seja, direcionar o foco a uma determinada ação sem interferentes resulta em níveis de satisfação pessoal bastante interessantes. É "fazer a coisa certa do jeito certo", respeitando a "coisa" seja lá o que a "coisa" seja e respeitando-se também. Mulheres tem facilidade em fazer muitas coisas ao mesmo tempo enquanto que homens tem dificuldade de agir assim e preferem fazer uma coisa de cada vez. Talvez daí derive um pouco da insatisfação feminina em relação a tudo e da dificuldade do ser masculino em entender isso. Eles são mais objetivos, elas são muito menos que eles. A sensação de dever cumprido, de ter feito o melhor que se podia ter feito por ter estado presente por inteiro quando se deveria estar, é algo libertador. Acho que é por isso que em muitas aspectos, os homens são bem menos densos que as mulheres.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Sabedoria em cor-de-rosa
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Primeira linhagem de células-tronco brasileira não é brasileira
As células-tronco representam a esperança de terapia genética para doenças como o Mal de Alzheimer. A primeira linhagem brasileira desse tipo de células foi obtida em 2008 poucos meses após a liberação da pesquisa com embriões pelo Superior Tribunal Federal. O material utilizado para chegar-se a essas células-tronco foi o de amostras de cordão umbilical armazenadas em clínicas de reprodução. Qualquer tipo de serviço relacionado à fecundação artificial tem um custo bastante elevado e por isso é restrito a um grupo social bastante específico que não representa a grande maioria da população brasileira. Por essa razão, a análise genética dessa primeira linhagem mostrou-se bastante distante do que seria a mescla de raças de um brasileiro e ficou mais próxima de outros grupos populacionais tais como o europeu. Ou seja, a primeira linhagem de células-tronco brasiliera não atenderia à grande maioria dos brasileiros que fazem parte da massa de atendimento do SUS e ficaria restrita aos que podem pagar pela saúde privada. Os estudos nessa área continuam e sinceramente espero que os grupos de pesquisa tenham acesso a material humano que represente melhor a miscigenação racial do Brasil. Uma das maneiras de viabilizar esse acesso é ampliando o banco de amostras do REDOME, grupo que coleta dados para doação de medula óssea. Dessa maneira, haverá a possibilidade de desenvolver uma linhagem de células mais compatível com a mistura genética de nosso país e esse tipo de terapia poderá atender a um maior número de brasileiros.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Números feios
As análises estatísticas fotografam situações específicas e permitem conhecer e analisar detalhes que poderiam se perder em meio a uma multidão de informações e o atual censo do IBGE traz muitos dados interessantes e horripilantes sobre o Brasil.
4 milhões de pessoas é um número maior que a população de países do leste europeu como a Eslovênia, ou de cidades como Berlim, Paris, Roma, Madri, Recife e Rio de Janeiro. Pois é esse o número de pessoas que não têm renda alguma no Brasil. Um outro grupo bastante grande é o dos que vivem com até R$ 70,00/mês graças aos programas assistenciais do Ministério de Desenvolvimento Social e de Combate à fome.
Enquanto isso, um outro grupo gasta cerca de R$ 13.000,00/ano (quase R$ 1.100,00/mês) , para poder se alimentar fora de casa em todos os dias do ano.
Conheci esses números entre ontem e hoje e ambos me parecem absurdos, mas são absurdamente reais.
4 milhões de pessoas é um número maior que a população de países do leste europeu como a Eslovênia, ou de cidades como Berlim, Paris, Roma, Madri, Recife e Rio de Janeiro. Pois é esse o número de pessoas que não têm renda alguma no Brasil. Um outro grupo bastante grande é o dos que vivem com até R$ 70,00/mês graças aos programas assistenciais do Ministério de Desenvolvimento Social e de Combate à fome.
Enquanto isso, um outro grupo gasta cerca de R$ 13.000,00/ano (quase R$ 1.100,00/mês) , para poder se alimentar fora de casa em todos os dias do ano.
Conheci esses números entre ontem e hoje e ambos me parecem absurdos, mas são absurdamente reais.
domingo, 1 de maio de 2011
Informar e conhecer
Concordo que vivemos na era da informação. Todo mundo sabe um pouco de tudo pois de tudo um pouco está disponível para quem puder ter acesso aos meios de comunicação, principalmente à mídia eletrônica.
Na mídia escrita, isso também acontece mas, geralmente, a qualidade da informação é melhor pois existem os revisores de texto que têm a função de pelo menos corrigir a linguagem usada além do conteúdo que pretende-se divulgar. Porém, alguns dos conteúdos que são divulgados chegam ao público já desatualizados ou têm tempo de vida muito curto. Nesses casos, que acontecem principalmente com os textos da área de sistemas de informática e da área jurídica, a mídia eletrônica seria um melhor meio de divulgação. Assim, poderiam ser evitadas as situações como a da liquidação de uma coleção jurídica de 10 volumes gordos de quase R$ 1.000,00 por menos de R$ 100,00 que se não for vendida irá mofar em alguma biblioteca até que um pós-graduando interassado no histórico de uma jurisprudência procure o livro, ou irá parar em algum local de reciclagem, ou terá outros fins diversos.
A comunicação através da mídia eletrônica acaba impondo-se por uma série de facilildades. Até livro eletrônico já existe e a vantagem de armazenar vários volumes em um dispositivo que cabe em uma bolsa é extremamente atraente. A mídia eletrônica é democrática pois permite a ilustres desconhecidos divulgarem qualquer conteúdo e tornarem-se celebridades instantâneas e descartáveis ou a tornarem-se conhecidos para quem quiser conhecê-los. Por exemplo, eu aqui e agora, talvez esse texto seja só mais um dos meus textos ou talvez alguém o leia, conheça um pouco do que eu penso e comente alguma coisa sobre o que eu escrevi. Mas a mídia eletrônica também pode ser controlada e direcionada para determinadas funções que é o que acontece em países que ainda contam com regimes autoritários.
Nesse contexto, vão se criando pessoas formadas e formatadas com informações cada vez mais rasas. É muito comum a reprodução de uma informação por diversos sites sem que a origem da informação seja citada por ninguém. Apropria-se do pensamento de um outro, que ninguém sabe quem é, e faz-se disso a verdade.
Mas a verdade, de verdade, é o conhecimento que liberta da ignorância e que nos faz livres e a qualidade é algo que se constrói e que não é presa à individualidade mas a um consenso que leva ao bom-senso que deve estar fundamentado em fatos comprovados e não impostos por uma opinião isolada.
A sociedade informada que está se formando é prisioneira eletrônica de dispositivos cada vez mais mirabolantes e surpreendentes e caminha a passos largos para uma nova idade das trevas. É a repetição de um ciclo histórico revivido na era contemporânea.
Para constar, essa reflexão veio da leitura do texto "O risco da ignorância" do prof. Massimo Pigliucci publicado na edição do jornal "O Estado de São Paulo" de hoje.
Para terminar, o mundo perdeu um de seus grandes tristes. Ontem, num sábado, morreu Ernesto Sabato.
Na mídia escrita, isso também acontece mas, geralmente, a qualidade da informação é melhor pois existem os revisores de texto que têm a função de pelo menos corrigir a linguagem usada além do conteúdo que pretende-se divulgar. Porém, alguns dos conteúdos que são divulgados chegam ao público já desatualizados ou têm tempo de vida muito curto. Nesses casos, que acontecem principalmente com os textos da área de sistemas de informática e da área jurídica, a mídia eletrônica seria um melhor meio de divulgação. Assim, poderiam ser evitadas as situações como a da liquidação de uma coleção jurídica de 10 volumes gordos de quase R$ 1.000,00 por menos de R$ 100,00 que se não for vendida irá mofar em alguma biblioteca até que um pós-graduando interassado no histórico de uma jurisprudência procure o livro, ou irá parar em algum local de reciclagem, ou terá outros fins diversos.
A comunicação através da mídia eletrônica acaba impondo-se por uma série de facilildades. Até livro eletrônico já existe e a vantagem de armazenar vários volumes em um dispositivo que cabe em uma bolsa é extremamente atraente. A mídia eletrônica é democrática pois permite a ilustres desconhecidos divulgarem qualquer conteúdo e tornarem-se celebridades instantâneas e descartáveis ou a tornarem-se conhecidos para quem quiser conhecê-los. Por exemplo, eu aqui e agora, talvez esse texto seja só mais um dos meus textos ou talvez alguém o leia, conheça um pouco do que eu penso e comente alguma coisa sobre o que eu escrevi. Mas a mídia eletrônica também pode ser controlada e direcionada para determinadas funções que é o que acontece em países que ainda contam com regimes autoritários.
Nesse contexto, vão se criando pessoas formadas e formatadas com informações cada vez mais rasas. É muito comum a reprodução de uma informação por diversos sites sem que a origem da informação seja citada por ninguém. Apropria-se do pensamento de um outro, que ninguém sabe quem é, e faz-se disso a verdade.
Mas a verdade, de verdade, é o conhecimento que liberta da ignorância e que nos faz livres e a qualidade é algo que se constrói e que não é presa à individualidade mas a um consenso que leva ao bom-senso que deve estar fundamentado em fatos comprovados e não impostos por uma opinião isolada.
A sociedade informada que está se formando é prisioneira eletrônica de dispositivos cada vez mais mirabolantes e surpreendentes e caminha a passos largos para uma nova idade das trevas. É a repetição de um ciclo histórico revivido na era contemporânea.
Para constar, essa reflexão veio da leitura do texto "O risco da ignorância" do prof. Massimo Pigliucci publicado na edição do jornal "O Estado de São Paulo" de hoje.
Para terminar, o mundo perdeu um de seus grandes tristes. Ontem, num sábado, morreu Ernesto Sabato.
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